Para aonde olhava só conseguia enxergar a miséria. A casa, de aspecto paupérrimo era formada por apenas alguns paus podres e, de apoio, alguns tijolos mals encaixados. O teto era forrado por uma lona grossa, preta, que dava um ar mais obscuro ao pequeno ambiente. O chão, batido, não possuía sequer restigios de madeira; era feito de barro bruto, aonde quaisquer pingo d'água era motivo para surgir uma poça de lama.
Comida era algo raro de se encontrar, panelas sujas, vazias, era, constantemente, o prato do dia. O fundo musical era formado por melodias pesadas, tristes, melancólicas: o choro das crianças famintas. Como é doloroso ver tal situação.. Pessoas desfiguradas, destroçadas pela miséria, pela fadiga oriunda da falta de alimentação.
Lágrimas eram constantes. Tornou-se a forma mais natural de externar o desespero, de mostrar o quanto eram débeis, inocentes, desprotegidas.. A sorte, ou destino.. O que seja, não havia sido amistoso com essas pobres pessoas. O coração pesava, a alma penalizava-se com tamanho infortúnio.
Como eles conseguiam/suportavam viver sob tamanha penúria? Que tipos de sonhos teriam? Esperanças? Era possível tê-las quando todos viravam as costas e fingiam que eles não existiam? Como acreditar em DEUS? Como entender que algumas poucas pessoas viviam de grandes farturas, enquanto eles, mendigavam um reles pão mofo, doente?
A questão principal não seria essa e sim: como aceita-las? Como se sujeitar e não lutar para ter uma vida melhor, um pouco mais de comida, dignidade!! A resposta esta escancarada.. Poucos são os que a enxergam-na, que a entendem, que a abominam-na...
Nenhum comentário:
Postar um comentário